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00:56 – 04/11/09

Go to sleep, may your sweet dreams come true
Just lay back in my arms for one more night
I’ve this crazy old notion that calls me sometimes
Saying this one’s the love of our lives…

Neste instante estou ouvindo uma música que marcou demasiadamente minha vida. A aproximadamente quatro anos atrás, lembro de estar em uma rede branca com listas azuis na varanda da minha antiga casa, olhando para a lua e as estrelas que a acompanhavam naquela noite, ainda recordo do vento frio e suave batendo nas folhas do coqueiro do jardim e de toda a coreografia das mesmas, feita ali, sem nenhum ensaio.

Cause I know a love that will never grow old
And I know a love that will never grow old…

Naquela madrugada todos dormiam em minha casa enquanto eu permanecia de olhos bem abertos, pensando como seria a vida dali para a frente. Na noite anterior eu havia saído com um garoto pela primeira vez, tinhamos ido ao cinema assistir à película “Brokeback Mountain”, creio que desde então, nunca mais sentei em poltronas vermelhas de maneira tão surreal.

When you wake up the world may have changed
But trust in me, I’ll never falter or fail
Just the smile in your eyes, it can light up the night,
And your laughter’s like wind in my sails…

Poucas coisas mudaram desde aquele dia, não sou um ser de bruscas mutações, noventa e nove por cento de tudo em minha vida é feito a passos extremamente curtos.

Lean on me, let our hearts beat in time,
Feel strength from the hands that have held you so long.
Who cares where we go on this rutted old road
In a world that may say that we’re wrong…

Enfim, texto sem nenhuma pretensão, sem pé nem cabeça, feito apenas para jogar alguns pensamentos no papel e depois despejá-los por aqui para alguma mente desocupada lê-lo, ou não.

Cause I know a love that will never grow old
And I know a love that will never grow old.

A música acabou.

E os meus pensamentos continuam…

Love and other disasters

- Já te ocorreu que o amor verdadeiro pode ser uma conspiração? Sim, uma conspiração capitalista, uma mentira engendrada pela industria cinematográfica, livreira e discográfica. Tudo a impingir essa coisa, esse conceito que nem sequer existe.

- O verdadeiro amor não existe?

- Pensa lá bem; onde é que ele está sem ser em músicas, livros e filmes? Quem é que pode dizer sinceramente “vou amar-te para sempre”?

- A Whitney Houston.

- Pois… quando está pedrada do crack. Toda a gente é infeliz porque anda à procura de uma coisa que não existe. Ou então, são infelizes porque acham que se contentaram com pouco

Instantes

Naquele instante, o amor desafiou-me a permanecer, sabes que eu sempre desejei para ti o que de melhor sonhastes. Eu tentei ao máximo salvá-lo das chamas que consomem a tua alma, e continuei ignorando a tua aterradora ambivalência; foi aí que perdi-me. Por um longo período, encontrei-me cercado de lodo e lama, andando sobre espinhos que arrancavam-me sangue e lágrimas carregadas de penar.

Naquele instante, o amor encorajou-me e concedeu-me um punhado de esperança, mas de pouquinho em pouquinho, ela acabou.

Neste instante, enfim, percebo que permanecer contigo seria desistir de mim.

“…o cordeiro sacrificado morre, o amor morre, só a arte não.”

Infeliz Aniversário

Confesso: Tenho medo do tal dia vinte e seis de outubro. Não é isso que estão pensando, não é por ganhar mais umas ruguinhas em minha testa, ou o décimo fio de cabelo branco, é o medo de mais uma vez ter que enfrentar a velha companheira “retrospectiva”.

Este ano, dei-me conta que aniversários não precisam necessáriamente de uma comemoração. Sempre fiz festinhas em consideração aos meus poucos amigos, tento ao máximo responder aos “e-mails” e “scraps” de felicitações (algumas incrivelmente superficiais), atendo aos telefonemas (sempre forçando a situação e mentindo, falando que está tudo bem, quando na verdade não está), recebo aqueles presentes de última hora (que são comprados a contragosto), enfim, todos os anos foram assim, mas creio que este não será.

No bendito (ou maldito) dia vinte e seis de outubro quero descansar, afastar-me um pouco deste rítmo alucinado, decorrente de escritório, universidade, amor não correspondido, saldo bancário, amizades por interesse, saídas frustrantes, entre outras cositas más.

Não tenho o que comemorar, não quero reunir pessoas que nem sabem direito que existo, o que enfrento, ou pior, nem gostam de mim, e fingem o contrário.

30 anos

Falar de alguém que conhecemos há pouquíssimo tempo é um tanto receoso. Encontro-me em uma situção totalmente favorável a erros, mas o que valerá é a intenção de expor meus pensamentos e pré-conceitos obtidos em um dia de amizade.

Exatamente hoje: 30 anos de desacertos e acertos; 30 anos de limitações e desejos; 30 anos de fracassos e vitórias; 30 anos de adjetivos positivos e negativos; 30 anos de filmes e livros maravilhosos e péssimos também; 30 anos de lágrimas e sorrisos; 30 anos de festas e fossas; 30 anos de realidade e ilusão; 30 anos de julgamentos; 30 anos de viagens; 30 anos de amor e ódio; 30 anos de sonhos; 30 anos de realizações; 30 anos de pensamentos; 30 anos em tua pele e em tua mentalidade; 30 anos de experiências; 30 anos vividos ao teu modo, sob o teu controle remoto.

Meus votos de felicidades são contestáveis, eu sei; mas apesar dos pesares, desejo-te muita intensidade, pois é o elemento que mais anseio e não sou capaz de ter, creio que pelo curto espaço de tempo em que trocamos algumas palavras já percebestes isto.

Enfim, de todo coração, com todas as ênfases possíveis, desejo-te um aniversário maravilhoso, com tudo o que mereces ter.

Um abraço, David Raphael.

Despertar

Eu simplesmente detesto acordar, realmente não consigo enxergar bons motivos para isto.

Odeio o despertar da cidade; com o seu trânsito insuportável, aquelas buzinas infernais, mendigos e flanelinhas em todos os semáforos, a medida das minhas palavras, os gritos por ajuda em cada olhar das pessoas desesperadas em suas pobres vidas (inclusive o meu e o teu).

A velha temática do novo dia não agrada-me nem um pouquinho, ahh o cotidiano, é a mesma coisa, o velho dia-a-dia.

As mesmas víboras, o mesmo calor, o mesmo lixo, o mesmo rumo, a mesma maldita inveja.

Um verdadeiro inferno onde o ar fresco é monóxido de carbono.

?

Infelizmente gostaria de saber o que anda acontecendo com a minha pessoa, parece que todas as minhas pretensões estão sendo abduzidas sem a minha mera permissão.

Estou meio atônito por presumir algo que ainda não sei se é a realidade, somente tenho sabedoria de entender que as coisas não deveriam caminhar nesta direção.

A vida é uma tremenda sacanagem e cada segundo de lucidez é um suplício.

William Shakeaspeare

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Soneto 116

Sense and Sensibility

E ele saberá o que é amar?

Um afeto tão educado pode mesmo satisfazer?

Amar é arder, estar em fogo, como Julieta, Guinevere, Heloísa.

Passengers

- A verdade cura.

- Quando mentimos, construímos as mentiras com partes da verdade.

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