Durante esta semana, venho enfrentando uma batalha interna, combatendo velhos hábitos, aceitando alguns defeitos, consertando outros, estudando-me e aprendendo como comportar-me. Em um momento de descanso pus em meu rádio um Cd antigo, e nele estava gravado algumas canções de “Dichterliebe” (Amor de Poeta), uma verdadeira obra-prima produzida por Schumann e Heinrich Heine.
Primeiramente, o impacto sonoro foi imenso, logo depois a curiosidade tomou conta deste que vos fala. Fui correndo para internet procurar o que significava a coisa tão bela, e saber um pouco mais de seus autores. Em relação a Schumann, vi que somos muito parecidos. Somos o mesmo projeto humano, seres quase que só pensantes, sem poder de ação, apenas imaginação, seres que sonham acordados e que carregam consigo angústias, mágoas e algumas dores. Já em relação a Heine, o Romantismo em si nos define, sofremos de excesso de amor, desespero existencial e medo da solidão, a melancolia faz parte de nossa natureza.
A música expressa todas as inseguranças e toda a competitividade que enfrento em minha vida, demonstra os pensamentos que tenho referentes ao presente, passado e futuro. De coisas bestas, como ouvir determinadas músicas e lembrar do amado, até coisas mais densas como o rancor guardado.
Parece que algo nos transcende, e nos une, é bom saber que existiu ou existe pessoas que possuem o mesmo raciocínio que você. Tomara que eu não acabe igual ao dois gênios; loucos, suicídas e infelizes.
Aí vai um trecho da pura criação:
Se as florezinhas soubessem
Se as florezinhas soubessem
O quanto o meu coração está ferido
Elas chorariam comigo
Para curar minha dor,
Se os rouxinóis soubessem
Quão triste e doente eu estou,
Alegres entoariam
Uma refrescante canção.
E se de minha dor soubessem,
As estrelinhas douradas,
Viriam de sua altura,
E me consolariam.
Mas eles não podem saber de nada,
Apenas uma conhece minha dor,
Ela mesma o partiu,
Dilacerou-me o coração